A parte que se separa do todo, sem que este o deixe de ser. A conquista da liberdade das ideias presas aos sonhos!
segunda-feira, 26 de julho de 2010
O fogo criminoso não evitará a Classificação da Mata da Machada e do Sapal do Rio Coina!
Tratou-se de duas ocorrências que só se podem justificar com dois actos criminosos, que de forma vil e premeditada intentaram contra um espaço de superior importância, não apenas do ponto de vista do seu coberto florestal, mas e sobretudo como espaço de importância natural inquestionável para o concelho do Barreiro e mesmo para a região, facto que faz com que seja justificada a intenção de o classificar como área protegida. O seu valor vai muito para além das árvores ou dos matos que o compõem e a sua relação íntima com o Sapal do Rio Coina enchem o Barreiro de orgulho em ter no seu pequeno território estes dois espaços.
O processo de classificação do Sapal é dinâmico e começa a ganhar vida própria. Decorre actualmente o período informal de consulta pública, que terminará a 12 de Setembro, sendo de referir as muitas opiniões e sugestões que foi possível já recolher de milhares de cidadãos que se envolveram com estes dois espaços através da riquíssima agenda de actividades que a Mata da Machada oferece até ao final do período de consulta pública.
Todas as iniciativas que temos organizado só contribuem para fortalecer a ligação dos cidadãos do Barreiro a estes dois espaços naturais e por isso, estamos convictos de que a Classificação destes dois locais se tornou incontornável. Se um fogo criminoso devastar alguma área, como o que aconteceu nestes dois dias anteriores, o trabalho será mais difícil, demorará mais tempo e provavelmente custará a todos mais.
Mas de uma coisa podem estar certos, nenhum criminoso pirómano conseguirá parar o processo de Classificação da Mata Nacional da Machada e do Sapal do Rio Coina como áreas protegidas locais. Porque o Barreiro se preocupa com os seus espaços naturais e trabalhará arduamente para que essa vontade seja uma realidade. Para este objectivo, todas as ajudas são importantes. Conto consigo para esta tarefa! Ajude a defender a Mata Nacional da Machada e o Sapal do Rio Coina!
Barreiro, 13 de Julho de 2010.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
É preciso começar a pensar nos problemas do país!
É ponto assente que o nosso país se encontra numa situação muito difícil do ponto de vista económico e social, com taxas de desemprego historicamente altas, com uma perda de tecido produtivo absolutamente assustadora, ao mesmo tempo que a economia e a criação de riqueza não dão sinais de inverter o ciclo negativo em que estão mergulhadas. As consequências são de todos conhecidas, e as políticas públicas implementadas pelo Governo não se têm mostrado capazes de dar a volta a esta situação. O contributo dos apoios comunitários está mergulhado em procedimentos e burocracias inadmissíveis, que infelizmente explicam as baixas taxas de acesso aos fundos comunitários do Quadro de Referência Estratégico Nacional – QREN – a nossa última oportunidade de nos aproximarmos da média europeia.
Num contexto tão desfavorável como o que vivemos, onde o modelo de governação socialista se esgotou a si próprio, felizmente antes de esgotar o País, é inevitável encontrar um caminho alternativo para Portugal. Não é apenas uma opção, trata-se indiscutivelmente de uma necessidade. Esse caminho alternativo terá de conseguir motivar os cidadãos para a construção de um país mais justo, mais eficiente, mais produtivo, que apoie a iniciativa individual de quem está disposto a correr riscos e a investir para inverter a situação em que nos encontramos. Encontrar mecanismos que tornem mais fácil a criação de riqueza e com isso aumentar a capacidade do estado para que possa ter mais e melhor intervenção na qualidade de vida dos cidadãos, deve ser considerado um desígnio nacional.
Pedro Passos Coelho disse hoje que “Para sabermos no que estamos unidos, temos de saber o que pensamos.” Com a edição do livro “Mudar”, ele partilha connosco algumas das suas ideias sobre um conjunto de áreas de interesse na governação de Portugal num esforço claro de unir em torno de propostas concretas, todos aqueles que querem e desejam um futuro melhor para o seu país.
A clareza com que expõe as suas ideias, permitirá aos Social-Democratas, mas sobretudo aos cidadãos que de alguma forma se preocupam com o país onde vivem, perceber que existe uma alternativa credível e motivadora de um novo ciclo político. Um ciclo político marcado pelo respeito pelos portugueses e pela cultura do rigor, ao mesmo tempo que se estimula o crescimento económico e a criação de riqueza. Preocupações complexas como o desemprego, o endividamento externo ou a competitividade só encontrarão resposta numa política competente, liderada por um protagonista capaz de concretizar estes objectivos.
Por tudo o que sei sobre as suas ideias e convicções, que muito bem exprime no seu livro, Pedro Passos Coelho é, não só indiscutivelmente a minha escolha para líder do meu partido, o PSD, mas é sobretudo a minha escolha para liderar os destinos do meu país, Portugal!
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Tenha cuidado com este Inverno. Vai ser muito frio…e caro!
Está um frio!!! É a expressão mais ouvida nos últimos dias, na boca de toda a gente. Dos mais velhos aos mais novos, dos mais encalorados aos mais friorentos, não há ninguém a quem não lhe tenha já chegado o frio. Por todo o lado, desdobram-se as recomendações para que os cuidados com o frio sejam muitos e constantes, com especial atenção às crianças e aos menos jovens. Várias peças de roupa, protecção para as mãos, para a cabeça e ouvidos, cremes hidratantes para a pele e lábios, calçado adequado enfim, um manancial de cuidados, todos eles necessários e bem vindos, numa época em que o clima severo traz muitas vezes também as típicas complicações de saúde.Neste contexto de frio, seria de esperar que, associado às inúmeras chamadas de atenção e títulos de jornais sobre os cuidados a ter, víssemos incluída também uma outra questão muito importante, em especial numa época de crise financeira que afecta sobretudo as famílias, que se refere aos custos com o aquecimento das habitações mas também de espaços de trabalho e serviços. Poderia começar por dizer que a climatização dos edifícios se faz maioritariamente através do consumo de energia eléctrica e que a sua produção implica uma emissão significativa de gases com efeito de estufa para a atmosfera, o que sendo verdade, confesso que não esperava vir a tocar o íntimo dos leitores, já que não se espera que as pessoas passem frio para evitar a emissão de CO2 para a atmosfera. Antes, e mais relevante nesta fase, penso que é importante encarar o problema por uma outra perspectiva – a perspectiva do uso racional e da economia de energia – que terá como consequência directa um menor custo da energia para as famílias e para as empresas, ao mesmo tempo que representará uma menor emissão de CO2 para a atmosfera.
É muito comum, tendo sido notícia de abertura de alguns noticiários nos últimos dias, a ocorrência de acidentes domésticos decorrentes de sobrecargas eléctricas, algumas com perda de vidas humanas, devido à utilização intensiva de aparelhos de aquecimento de vários tipos. A corrida aos aquecedores eléctricos e a gás que se registou nos últimos dias, tem uma consequência directa e muito negativa no consumo de energia das famílias, com o consequente e indesejado aumento das facturas a pagar.
Muitas das habitações em especial no caso do Barreiro, foram construídas numa época em que não se integravam preocupações com as soluções construtivas para poupar energia. O resultado é a inexistência de paredes duplas ou isolamentos térmicos e aplicação de caixilharia sem corte térmico ou telhados sem isolamento, o que criou hoje uma maior necessidade por parte dos seus habitantes, no que toca à climatização destas habitações.
Para os que possam integrar soluções de fundo no que toca à intervenção nas suas habitações, recomenda-se vivamente uma auditoria energética à habitação, para que possa decidir de forma informada e eficiente, quais os investimentos mais correctos a fazer. Para aqueles que, sendo seguramente a maior parte, se vêem obrigados ao uso de sistemas de climatização como forma de se manterem quentes nas suas habitações, gostava de deixar alguns conselhos úteis que, se forem seguidos, vão reduzir seguramente a factura energética mantendo o nível de conforto:
- Sempre que considere necessário e só nesse caso, promova a ventilação da habitação logo pela manhã, e por um curto período de tempo. Assim, estará a renovar o ar interior, promovendo a ventilação, seguindo-se um período em que normalmente os ocupantes das habitações saem para os empregos/escola, tendo menos impacto no conforto;
- Sempre que possível, deixe os estores das janelas abertos e os cortinados recolhidos no período do dia. Assim permitirá a entrada dos raios solares e contribuirá para o aquecimento do ar interior da habitação;
- Na utilização de aquecedores eléctricos, evite os que têm a resistência à vista (lâmpada), pois estes reduzem significativamente a humidade do ar, sendo menos eficientes no aquecimento que, por exemplo, os termo-ventiladores;
- Evite climatizar demasiado apenas algumas divisões da habitação, e faça-o só naquelas que sabe que vai efectivamente utilizar. O sobreaquecimento pode gerar diferenças de temperatura entre divisões que podem ser significativas. Não se esqueça que estar sujeito a mudanças bruscas de temperatura pode trazer complicações de saúde indesejadas;
- Use alguma roupa quente quando se encontra em casa e proteja os pés com calçado adequado. Assim evita ter de aquecer demasiado a habitação, o que lhe sai muito mais barato e evita desperdiçar calor que se manterá quando já não precisa dele;
- Nunca deixe aparelhos de aquecimento ligados durante a noite, com excepção dos que são instalados para acumular calor em período nocturno, como o caso dos acumuladores cerâmicos. A noite é o período de menor vigilância e por isso maior risco. Lembre-se que um cobertor adicional evita a necessidade de aquecimento, com a poupança de energia e logo, um menor custo;
- Equacione a possibilidade de recorrer à utilização de tarifa bi-horária, fazendo para isso uma simulação do seu consumo através do site da EDP ou do seu fornecedor de energia eléctrica.
E como este é o primeiro artigo de 2009, desejo a todos um Excelente Ano, com baixos consumos de energia.
Nuno Banza
terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O Monstrengo que está no fim do mar,
domingo, 14 de dezembro de 2008
Uma nova travessia do Tejo - Excelente! Mas só isso não chega! E o resto…?
Nuno Banza
terça-feira, 4 de novembro de 2008
A Cidade – de fonte de problemas a fonte de soluções!
Em regimes mais ou menos democráticos, a gestão das urbes é uma matéria que esteve sempre envolvida em polémica. Nos dias de hoje também a cidade continua a estar permanentemente envolvida em quezílias bairristas, partidaristas, de vizinhança e muitas vezes até clubistas, que vão alimentando a sua vivência. As cidades foram desde sempre uma forma útil que o homem encontrou para ter segurança, ter condições de vida mais favoráveis, criar condições de desenvolvimento social para fazer face às suas crescentes necessidades, o que faz com que a cidade possa ser vista como um organismo vivo e dinâmico. Com mais ou menos problemas, cada cidade faz o seu caminho, em função dos estímulos que lhe são fornecidos e vai encontrando formas de se desenvolver. É certo que muitas vezes a leitura que se faz desse desenvolvimento é ao mesmo tempo muito negativa e muito positiva, e permite até alimentar teses de catastrofismo, ou de ressurreição, muito convenientes em função dos interlocutores. Porém, a experiência mostra que as cidades são acima de tudo inteligentes na forma como resolvem os seus problemas. Grandes conflitos de interesses entre os actores das cidades geraram oportunidades únicas para encontrar soluções expeditas e inovadoras nunca antes experimentadas.
No caso do Barreiro, muito se tem dito e escrito sobre o rumo que a cidade está a seguir, e no qual o dia de ontem terá certamente um lugar de destaque. Não estou completamente certo que este é o melhor rumo, ao mesmo tempo que se me levantam dúvidas em relação a algumas opções concretas. Mas no meio das dúvidas que tenho e que certamente serão comuns a muitos Barreirenses, tenho algumas certezas que me deixam dormir descansado. É que a Cidade do Barreiro, como muitas cidades por esse mundo fora, é um sistema vivo, e os seus habitantes têm um papel preponderante na construção do seu futuro. Estimular a sua participação activa e informada é uma responsabilidade comum a todas as instituições públicas, mas não deixa de ser um dever de todos os habitantes contribuírem activamente para a construção do futuro que se quer para a cidade onde vivem. Quanto maior for a diversidade de opiniões, mais ricas serão as soluções que se constroem
É função dos decisores fazerem isso mesmo - decidir. Sabemos sempre que essas decisões não darão resposta às expectativas de todos os habitantes da cidade. O que temos de exigir é que essas opções sejam honestas. Se as opções que agora se constroem, se mostrarem no futuro acertadas, a cidade continuará o seu caminho assente nessas opções. Se elas se mostrarem erradas e geradoras de mais problemas que soluções, com toda a certeza que encontraremos forma de transformar essas ameaças em oportunidades e faremos o nosso caminho, caminhando. O Barreiro não começou, nem acabou ontem!
Como enuncia o ICLEI – International Council for Local Environmental Iniciatives (Conselho Internacional para as Iniciativas Ambientais Locais): “É necessário criar comunidades sustentáveis, através de economias locais viáveis, justas, pacíficas e integradoras, eco-eficientes e assentes em cidades saudáveis.” É este o objectivo para uma nova cidade.
Nuno Banza
terça-feira, 7 de outubro de 2008
A moda das certificações – felizmente que algumas valem mesmo a pena!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008
O meu testemunho sobre a Candidatura do Pedro Passos Coelho no PSD
sábado, 27 de setembro de 2008
Uma Nova Classe Criativa Deve Vingar - A Responsabilidade Social do Barreiro também é nossa!
Nuno Banza
terça-feira, 29 de abril de 2008
Poupar energia em casa – vamos começar por não deitar dinheiro fora!
A Energia está na Ordem do Dia. Nunca como agora o preço do petróleo esteve tão alto. E não nos podemos esquecer que esta é uma das mais importantes fontes de energia, quer seja directamente para os transportes, quer de forma indirecta para a produção de electricidade. Tal dependência já deu origem a muitos escritos, com a Europa a estar empenhada como nunca esteve, numa estratégia conjunta para a Energia, que possa unir os 27 Estados membros.
Mas descendo um pouco à nossa realidade mais próxima, gostava de chamar a atenção para um aspecto do consumo de energia, que quase nunca é valorizado, mas que no seu conjunto representa uma parte importante do trabalho que temos de fazer enquanto consumidores, na procura de uma conduta mais eficiente. Trata-se do consumo respeitante aos chamados consumos em “stand-by” (estar ligado mas sem estar a funcionar) e “off-power” (estar desligado, mas mantendo a ligação da ficha à tomada). Os mais diversos tipos de electrodomésticos, desde os pequenos aos grandes, são uma presença comum nas nossas casas. Com maior ou menor utilização, seja em período de ponta, cheio ou vazio (horas em que os consumos são máximos, médios ou mínimos, respectivamente), muitos são os que possuem estados de “stand-by” e ainda uma maior parte são aqueles que se encontram sempre ligados às tomadas, e que mesmo sem estar a funcionar, continuam a consumir energia (“off-power”). Ora, uma primeira ideia que normalmente temos é a de que os consumos destes equipamentos são muito baixos, quase mesmo irrelevantes, não sendo por isso muito motivante fazer seja o que for quanto a isto. Pois então vejamos alguns dados que nos mostram que talvez valha a pena pensar duas vezes, não só pelo que eles representam ao nível de cada habitação, mas também pelo seu significado a nível nacional.
No que toca ao consumo doméstico, pode ser apontado, mesmo sendo conservativo na análise, que o consumo de um equipamento em “stand-by” ou “off-power” pode considerar-se em média da ordem dos 3W, variando muito numa habitação de tipologia média, o número de equipamentos de que estamos a falar. Mas concordarão que não será difícil ter duas televisões, um micro-ondas, um leitor de DVD ou vídeo, um despertador digital, um monitor de computador, uma consola de jogos, um forno com relógio, uma aparelhagem Hi-Fi com relógio, ou até um carregador de telemóvel que está sempre ligado à tomada, mesmo que não esteja a carregar nada. Mas vamos considerar que desta lista de cerca de 10 coisas, temos em nossas casas apenas 8, quaisquer que elas sejam. Para estes 8 equipamentos, temos então, 24Wh de consumo para “standby” e “off-power”dos equipamentos. Numa rápida operação de multiplicar, percebemos que por dia, eles consumirão cerca de 576Wh, e que num ano isso representará cerca de 210,24 kWh. Ao preço que é pago o kW, no consumo doméstico - 0.142 €/kW, isso representa pagar cerca de 30€/ano para consumir energia sem qualquer uso. Dispenso-me a dizer o que cada um pode fazer com esses 30 €, mas não posso deixar de lembrar que por exemplo as quotas dos Bombeiros Voluntários do Sul e Sueste no Barreiro são de 12 € por ano.
Ao nível nacional, esta questão assume contornos ainda mais interessantes se pensarmos que existiam em 2007 cerca de 4,7 milhões de consumidores domésticos. Aqui vamos considerar 3 factores – o custo deste consumo, a potência a instalar (produção de energia em barragens, centrais termoeléctricas ou outras) para fazer face a este consumo e as emissões de CO2 resultantes. Sobre o custo, multiplicando os tais 30 € por 4,7 milhões de consumidores, em cada ano que passa, verifica-se um gasto sem qualquer utilidade de cerca de 141 milhões de Euros. Quanto à potência de produção a instalar para fazer face a este consumo, e atendendo aos 24Wh de consumo em cada habitação, esta corresponde a cerca de 113MW para o total dos consumidores. Como referência para facilidade de percepção do leitor, poderemos apontar que a Central termoeléctrica da EDP no Barreiro, tem uma potência instalada de cerca de 56MW, e que a Barragem de Vilarinho das Furnas, no Gerês tem uma potência instalada de cerca de 125MW, ou que a Barragem de Castelo de Bode tem uma potência instalada de 159MW.
Se é verdade que a energia eléctrica produzida através de barragens é considerada limpa por praticamente não ter emissões de CO2, já o seu impacte ambiental é dos mais devastadores para os ecossistemas naturais, a par do seu altíssimo custo de construção. Da mesma forma, evitar a produção desta quantidade de energia através de termoeléctricas poderia representar a não emissão de 600 000 ton/CO2 para a atmosfera, em cada ano. Curiosamente, se considerarmos um valor de 20 €/ton de CO2 emitido, no mercado das emissões de CO2, esta emissão representa cerca de 12 milhões de Euros em licenças de emissão. Tudo somado, os 141 milhões de Euros de custo e mais estes 12 milhões de Euros em licenças, a juntar a tudo o resto que já se referiu, justifica plenamente na minha perspectiva uma alteração de comportamentos. Um país que é pobre, mesmo quando não se diz como tal ou se convence do contrário, não se pode dar ao luxo de deitar fora 153 milhões de Euros por ano.
Nuno Banza
segunda-feira, 14 de abril de 2008
sexta-feira, 14 de março de 2008

“Chegar às primeiras páginas não é garantia de importância. Mas, porvezes, as primeiras páginas justificam-se. As alterações climáticasnão são uma questão de moda: trata-se do nosso futuro. Políticos,empresas, famílias, cidadãos - todos aqueles que têm interesse nofuturo sabem que é necessário actuar agora para gerir os problemas deamanhã.” Estas palavras de Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, são o espelho de uma enorme mudança de mentalidades a que estamos obrigados. Elas foram proferidas numa altura em que se encontra a decorrer em Nairobi, no Quénia, a Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas. Uma iniciativa das Nações Unidas para tentar motivar uma mudança de comportamentos das Nações, porque na verdade, o modelo económico do mundo dito desenvolvido, não contemplava até há pouco tempo as externalidades negativas de que a emissão de gases como o CO2 é um bom exemplo.
Alguns números de enquadramentoO avanço da tecnologia veio permitir encontrar respostas e descobrir verdades que estavam antes bem escondidas pela natureza. O Painel Inter-Governamental para as Alterações Climáticas (IPCC) estimou que desde o ano de 1750 até ao ano 2000, a concentração de CO2 da atmosfera subiu 31%, sendo expectável que até ao ano 2100 esta suba, a números de hoje, até aos 250%. Da mesma forma, a concentração de Metano subiu no referido período cerca de 151%. Do total das emissões destes gases, os Estados Unidos da América (EUA) são actualmente responsáveis por cerca de 25%.
Quanto ao comportamento térmico da Terra, tornou-se uma evidência científica que no Século XX a temperatura média da Terra subiu 0,6º C, assim como se sabe que a década de 90 do mesmo Século foi a mais quente desde que se efectuam registos climatológicos sistemáticos (1861). Também foi possível validar cientificamente que 1998 foi o ano mais quente de toda a história dos registos de temperaturas. Ao mesmo tempo que se verificou a subida das temperaturas, outros fenómenos começaram a assustar os estudiosos. Factos como a diminuição do manto de neve que cobre a superfície da terra em 10%, desde 1960, ou a diminuição de 40% da espessura do Árctico desde 1965 até aos nossos dias, começavam já a mostrar um comportamento reactivo da Terra. Como resultado primário destes acontecimentos, verificou-se outro facto preocupante – o nível médio da água do mar subiu 20 cm no Século XX.
Os trabalhos científicos do IPCC mostraram ainda que as previsões para o Século XXI são de um aumento de até 5,8º C na temperatura média da Terra e uma subida de cerca de 88 cm do nível médio da água do mar. Face a este cenário, estados como o Tuvalu, no Pacífico, ficarão com 100% do seu território debaixo de água, tendo já negociado com países vizinhos, como neste caso com a Nova Zelândia o acolhimento de parte da sua população.
Os sinais de alertaInúmeros sinais começaram a ser dados pela Terra, mas o Homem continuou a sua saga de desenvolvimento assente nos recursos finitos do petróleo, carvão e gás natural, expelindo para a atmosfera aquilo que sabemos hoje serem quantidades de gases como o CO2, incomportáveis para um sistema natural saudável, que permita o suporte de vida em condições de segurança.
Os registos de anomalias climáticas com perdas de vidas humanas e de bens materiais começaram a ser notícia espaçadamente, para estarem hoje na ordem do dia, de quase todos os dias. O aumento da frequência de ocorrência de furacões, ciclones e tempestades tropicais foi rápido mas não silencioso. As secas e inundações que se tornaram frequentes em muitos locais da Terra, levaram já milhares de vidas humanas, ameaçando muitas mais. Pela primeira vez, Portugal registou um fenómeno climático extremo de escala nacional, pela passagem do Furacão “Gordon” a 21 de Setembro deste ano, contrariando os registos até ai conhecidos em que o Anticiclone dos Açores fazia com que este tipo de fenómenos se desviasse para Norte. O resultado foi a sua passagem pelo território continental deixando um pouco por todo o lado as suas marcas. Desta vez o anticiclone não se comportou como até aqui – estranho? Talvez não!
O degelo das calotes polares, com níveis preocupantes nos anos mais recentes, tem como consequência directa a subida dos níveis médios da água do mar. Este fenómeno associado ao aumento da temperatura média da água, que provoca o seu aumento de volume e assim também a sua subida de nível estão ainda na origem de registos que revelam a mudança de padrões de distribuição de doenças tropicais a par da alteração da distribuição de muitas espécies de seres vivos.
O célebre Protocolo de Quioto ratificado por 41 países em 1997, dos quais Portugal fez parte, estabeleceu como período de referência inicial o ano de 1990, tendo como horizonte de aplicação o período 2008 – 2012. Neste período, 35 dos países que assinaram o protocolo comprometeram-se a reduzir as emissões de CO2 em 5% porém, até 2004 a redução efectivamente conseguida ficou-se pelos 3,3%, à custa da redução verificada pelo colapso económico da ex-URSS que representou neste esforço 36,8%.Por outro lado, algumas economias emergentes da Europa de Leste e dos Balcãs registaram entre 2000 e 2004 uma subida de 4,1%. Os objectivos fixados por Quioto de uma redução de CO2 na ordem dos 8% até 2012, apontando uma redução de 60 a 80% em 2050 estão por isso cada vez mais longe de serem atingidos. Portugal, pertencendo aos países a quem foi permitido aumentar as suas emissões, com o objectivo de esse aumento ser associado a um desenvolvimento económico que lhe permitisse a modernização do tecido industrial, está numa situação deveras preocupante. Não só o período decorrido não se pautou por uma efectiva modernização dos sectores responsáveis pela maior parte das emissões, como também o consumo de energia disparou para um aumento da ordem dos 5 % /ano, enquanto o sector dos transportes continua a representar mais de metade da factura nacional de combustíveis. Verificou-se assim que, com um aumento previsto para 2012 de 27% de emissões de CO2 em relação a 1990, Portugal emitia já em 2004 mais 40,8% de CO2 em relação ao ano de referência. Para uma emissão limite de CO2 de 76,3 milhões de Toneladas equivalentes, Portugal identificou um excedente de 5,8 milhões de Toneladas equivalentes.
Consciente do panorama dramático em que Portugal se encontra nesta matéria, o Governo aprovou em Agosto último o Plano Nacional para as Alterações Climáticas (PNAC) que é já uma versão “revista e anotada” dos anteriores porém, as expectativas são já baixas. Face ao compromisso assumido pelo Governo de diminuir 1% ao ano, de 2004 a 2012 a emissão de CO2 cabendo a cada um dos ministérios a fixação das medidas sectoriais que permitirão atingir esta redução, o prazo de 15 de Setembro dado para o fazer já lá vai, e nada foi feito. Às propostas iniciais de um aumento até 2010 de área florestal para 600.000 hectares, o Governo admite já um desvio de 18% - este desvio representará um aumento de emissões por perda da função de sumidouro da floresta em cerca de 930 mil toneladas de CO2/ano. Para a proposta que previa a instalação de cerca de um milhão de metros quadrados de colectores para água quente solar, admite-se já um desvio de 50%, com o consequente aumento da emissão de 140 mil toneladas de CO2/ano. Da mesma forma os objectivos fixados para o abate de veículos em fim de vida terá previsivelmente um desvio de 80%.
Porém, hoje em Nairobi, o Secretário de Estado do Ambiente do Governo Português, afirmou que “Portugal acredita que com escolhas políticas fortes e deliberadas, é possível “descarbonizar” a nossa economia sem criar obstáculos ao desenvolvimento.” Pena é que a realidade nos tem mostrado que esta frase não tem tido até agora significado no país em que este político tem responsabilidades.
A responsabilidade de agir é de todos nós. Nicholas Stern, o especialista inglês que revelou recentemente ao mundo o seu trabalho científico sobre o fenómeno das alterações climáticas diz no seu relatório “Ninguém pode prever com completa certeza as consequências das alterações climáticas porém, nós sabemos já o suficiente para perceber os riscos.” Algumas das conclusões mais prementes deste relatório apontam para o ano de 2025 consequências assustadoras: aumento de 2º C da temperatura média da Terra; 200 milhões de refugiados; perda incalculável de vidas humanas e de biodiversidade; custo financeiro 5 a 20 vezes superior ao de intervir na diminuição de gases com efeito de estufa.Em nome dos habitantes de New Orleans e de muitos outros locais do mundo onde infelizmente se perderam recentemente milhares de vidas humanas não devemos calar o grito de revolta que urge dar, em nome da humanidade, dos nossos filhos. A decisão é de cada um de nós e fazer alguma coisa, mesmo que se pense ser pouco, terá com toda a certeza, na soma total, um significado forte e motivador da mudança de comportamentos da humanidade. Sem vaidades, arrogâncias ou falsas modéstias, todos somos responsáveis.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Os movimentos cívicos e as suas análises sobre a vida do país
Se por um lado, todo um conjunto de condicionalismos sociais, económicos, culturais e políticos, parece ter relevância na compreensão do fenómeno da participação, por outro lado, os resultados das políticas públicas em termos da criação de condições para promover a participação pública são de uma tal discrepância, que parece ser difícil encontrar neles uma estratégia comum, quer em termos nacionais, quer até, em termos de abordagem ao nível do espaço europeu. Inúmeras experiências de ordenamento do território e planeamento têm mostrado ambas as faces de uma mesma moeda – por um lado os bons resultados do envolvimento dos cidadãos e a apropriação por estes das soluções produzidas em conjunto; por outro, os ódios e conflitos decorrentes do exercício autoritário do poder da administração sobre os administrados.
A distância cada vez maior dos cidadãos quanto ao exercício de actividade política, deixa antever uma clara disfunção entre o que são os objectivos individuais e as expectativas destes, e o seu envolvimento em acções concretas que contribuam de alguma forma para esses objectivos. Com diferentes formas e conteúdos, a Europa possui vários tipos de normativos que tentam promover a participação dos cidadãos nos processos de tomada de decisão, ao mesmo tempo que tornou as questões da Participação num tema horizontal, integrando-o em várias políticas sectoriais. Passados quase dez anos sobre a assinatura da Convenção de Aarhus, em Junho de 1998, seria interessante avaliar de que forma o segundo pilar da estratégia por ela definida – Participação Pública na Tomada de Decisão - que decorria já de um dos princípios da Declaração do Rio (1992), teve consequência em Portugal. Neste contexto, será então importante ter também como referência para análise a Estratégia de Lisboa e avaliar de que forma os objectivos fixados para o desenvolvimento da Sociedade de Informação podem de alguma forma cruzar-se com a promoção da participação pública.
Quando vemos cada vez mais as organizações da sociedade civil tomarem posição e virem a público tornar claras as suas preocupações sobre diversas questões de importância nacional, assistimos às mais diversas reacções. Muitos se lembrarão das associações cívicas, outrora consideradas algumas vezes "a voz do dono", outras "antros de conspiração". Na verdade, com tradição alargada no tempo, foram votadas ao abandono, esvaziadas quer pelos partidos (compreensivelmente), quer pela desmotivação e desinteresse na vida activa da sociedade, que se viveu cada vez mais no período pós-25 de Abril.
Porém, há hoje, creio, uma inversão desta tendência que deve ser analisada com atenção. Por um lado, os partidos que acolheram a “massa crítica” da sociedade, que tinha intervenção activa, são hoje alvo de duras críticas, muitas delas justificadas, quando tentam fazer aprovar uma legislação que não mais pretende do que esmagar os extremos da ”normal”, reduzindo a expressão dos partidos pequenos e muitas vezes incómodos. Muita da sua energia provém hoje do poder e não do saber, que é por isso regulada pela posição que ocupam no espectro eleitoral e não, como seria de esperar, pelo seu valor próprio e pelo património de valores e saberes que conseguem acolher à sua volta. Este facto é tão mais relevante quando assistimos à crescente manifestação pública de oposições internas às lideranças dos dois maiores partidos políticos portugueses. Com muita vontade de imitar o Rei de Espanha no episódio ”Hugo Chavez”, os seus líderes tentam gerir de forma cirúrgica os afastamentos mais fortes da “ordem normal das coisas”, mas a verdade é que será inevitável por muito mais tempo, conseguir não cobrar bons serviços àqueles que se encontram mandatados para os prestar. Muitas mais associações se irão manifestar, e estou certo que será impossível evitar uma escalada de insatisfação para com a cada vez mais autista reacção de quem, às justas preocupações da sociedade civil, responde com uma análise positiva das reformas em curso.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
(A)Ponte na sua Agenda!

Mas para aquelas que conseguimos imaginar, vamos lá aqui tentar fazer um exercício. Já imaginaram poder apanhar o comboio e estar no Parque das Nações em 20 minutos? Ou já imaginaram que o Jardim Zoológico fica mais perto que chegar ao Castelo de Palmela? Ou que podemos ir depois de jantar ao Teatro ao D. Maria e voltar a casa a uma hora que nos deixa ir trabalhar sem olheiras no dia seguinte? E já imaginaram que o Museu Industrial da CUF pode ser visitado pelos residentes de Lisboa, tal como vão ao CCB ver a exposição da Colecção Berardo? Ou que as mesmas pessoas podem meter a Bicicleta no comboio e vir dar uma volta à Mata da Machada e voltar a tempo do almoço? Pois é! Dá para imaginar um monte de coisas que a tal ligação nas duas direcções pode permitir fazer. Mas se nos esforçarmos um bocadinho, também dá para imaginar outras coisas. Coisas não muito agradáveis e que para alguns são verdadeiros “Sonhos de uma noite de Verão”. Já imaginaram todos os nossos espaços livres completamente urbanizados e cheios de casas para pôr a morar pessoas que só cá vêm dormir? E já imaginaram se os preços das casas que tanto se fala irem ser construídas com vista para o Rio, forem de tal forma altos que não conseguimos fazer outra coisa senão assistir à sua venda? Enfim, temos uns anos para dar asas à imaginação, ao mesmo tempo que podemos ir estando atentos ao que acontece na realidade.
E por falar em realidade, se o estudo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) veio trazer aquilo que se espera ser uma nova realidade para o Barreiro, ele é já por si só uma realidade. E esta realidade não diz só que deve haver ponte para o Barreiro no modo rodo-ferroviário. Uma leitura mais atenta à parte que alguns consideram mais “chata” mas também mais detalhada, mostra também por exemplo, que o trajecto de comboio entre o novo aeroporto e Lisboa, por razões de diminuição do tempo de trajecto deve ter apenas 1 paragem entre o aeroporto e a Margem Norte e essa paragem deve ser, não no Barreiro como a maior parte das pessoas esperaria, mas sim no Pinhal Novo, “Recomenda-se um serviço semi-expresso, que efectue a ligação Sete Rios – Entrecampos – Roma/Areeiro – Pinhal Novo – Aeroporto.” In Estudo para a Análise Técnica Comparada das Alternativas de Localização do Novo Aeroporto de Lisboana Zona da Ota e na Zona do Campo de Tiro de Alcochete – LNEC, 2007. Não sendo esta uma ideia muito clara para mim, quanto à sua justiça, ela só me ajuda a pensar que, quer por uma ou outra razão, uma coisa é certa, aponte na sua agenda que a ponte ainda vai dar muito que falar.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
O Natal entre a Alegria de Comprar e o Dever de Reciclar

terça-feira, 27 de novembro de 2007
Cooperação Europeia – a chave para o desenvolvimento.

Tendo então uma Europa funcional e em permanente comunicação – o suporte determinante do processo de cooperação – o resultado deste processo de partilha é um somatório de conhecimento científico disponível para o objectivo inicial – permitir o desenvolvimento. Esta é a experiencia dos quatro anos de trabalho com pessoas de Espanha, Polónia, Holanda e Bélgica. Trazer para o Barreiro o conhecimento das mais recentes investigações na área da participação pública, ao mesmo tempo que é possível experimentar técnicas de visualização de elementos territoriais inovadoras, não só começa um novo caminho no que toca ao envolvimento dos cidadãos, como abre a porta para uma prática de cooperação europeia mais consequente. Tendo a melhoria contínua como objectivo comum, cada um dos países pôde beneficiar desta relação, em que o Barreiro partilhou a experiência de envolvimento directo das pessoas num projecto experimental, e com isso deu a conhecer os pontos fortes e fracos do trabalho comum.
A sequência lógica de um bom resultado é apostar numa estratégia de continuidade. Só faz sentido pensar numa Europa coesa e justa se atendermos às suas diferenças e eliminarmos as suas disfunções. É isso que corporiza a aposta num trabalho conjunto na área da Energia com a criação de uma agência, recorrendo ao apoio da União Europeia. Todo este esforço é para as pessoas e para o território onde vivem. É esse o compromisso do trabalho conjunto, entre todos os países da Europa e dos seus povos. É por isso a cooperação, a chave para o desenvolvimento, não apenas como um conceito intermédio para outros objectivos, mas sim para um desenvolvimento como fim último da sua existência.
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Uma cidade de pessoas e para as pessoas
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segunda-feira, 27 de agosto de 2007
sábado, 14 de julho de 2007
A ponte para o Barreiro não é como o Aeroporto para a Ota – não é uma birra, é uma necessidade!
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Assuma-se que a decisão da ponte é baseada num conjunto de argumentos técnicos que a suportam, discuta-se seriamente a opção rodoviária para a Ponte, e demonstre-se qual é a melhor estratégia para Portugal nesta matéria, mas por favor, em nome da seriedade e do interesse público, não se entre em mais uma guerra de birras só porque foi este governo que decidiu, porque a Ponte Chelas – Barreiro faz falta.




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