segunda-feira, 26 de julho de 2010

O fogo criminoso não evitará a Classificação da Mata da Machada e do Sapal do Rio Coina!

Nos últimos dois dias a Mata Nacional da Machada foi alvo de duas tentativas de incêndio, de forma criminosa, o que fez activar os meios para o combate, tendo sido possível debelar o incêndio sem que dele tivessem decorrido consequências de maior gravidade para aquele espaço.

Tratou-se de duas ocorrências que só se podem justificar com dois actos criminosos, que de forma vil e premeditada intentaram contra um espaço de superior importância, não apenas do ponto de vista do seu coberto florestal, mas e sobretudo como espaço de importância natural inquestionável para o concelho do Barreiro e mesmo para a região, facto que faz com que seja justificada a intenção de o classificar como área protegida. O seu valor vai muito para além das árvores ou dos matos que o compõem e a sua relação íntima com o Sapal do Rio Coina enchem o Barreiro de orgulho em ter no seu pequeno território estes dois espaços.

O processo de classificação do Sapal é dinâmico e começa a ganhar vida própria. Decorre actualmente o período informal de consulta pública, que terminará a 12 de Setembro, sendo de referir as muitas opiniões e sugestões que foi possível já recolher de milhares de cidadãos que se envolveram com estes dois espaços através da riquíssima agenda de actividades que a Mata da Machada oferece até ao final do período de consulta pública.

Todas as iniciativas que temos organizado só contribuem para fortalecer a ligação dos cidadãos do Barreiro a estes dois espaços naturais e por isso, estamos convictos de que a Classificação destes dois locais se tornou incontornável. Se um fogo criminoso devastar alguma área, como o que aconteceu nestes dois dias anteriores, o trabalho será mais difícil, demorará mais tempo e provavelmente custará a todos mais.

Mas de uma coisa podem estar certos, nenhum criminoso pirómano conseguirá parar o processo de Classificação da Mata Nacional da Machada e do Sapal do Rio Coina como áreas protegidas locais. Porque o Barreiro se preocupa com os seus espaços naturais e trabalhará arduamente para que essa vontade seja uma realidade. Para este objectivo, todas as ajudas são importantes. Conto consigo para esta tarefa! Ajude a defender a Mata Nacional da Machada e o Sapal do Rio Coina!

Barreiro, 13 de Julho de 2010.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

É preciso começar a pensar nos problemas do país!


O dia 21 de Janeiro ficará na história como o início de um novo ciclo político em Portugal. Num país que está cada vez mais marcado pela indiferença relativamente à participação na resolução dos seus problemas, por parte dos cidadãos, o lançamento do Livro “Mudar”, de Pedro Passos Coelho, é o início de um esforço absolutamente necessário pelo futuro de Portugal.



É ponto assente que o nosso país se encontra numa situação muito difícil do ponto de vista económico e social, com taxas de desemprego historicamente altas, com uma perda de tecido produtivo absolutamente assustadora, ao mesmo tempo que a economia e a criação de riqueza não dão sinais de inverter o ciclo negativo em que estão mergulhadas. As consequências são de todos conhecidas, e as políticas públicas implementadas pelo Governo não se têm mostrado capazes de dar a volta a esta situação. O contributo dos apoios comunitários está mergulhado em procedimentos e burocracias inadmissíveis, que infelizmente explicam as baixas taxas de acesso aos fundos comunitários do Quadro de Referência Estratégico Nacional – QREN – a nossa última oportunidade de nos aproximarmos da média europeia.


Num contexto tão desfavorável como o que vivemos, onde o modelo de governação socialista se esgotou a si próprio, felizmente antes de esgotar o País, é inevitável encontrar um caminho alternativo para Portugal. Não é apenas uma opção, trata-se indiscutivelmente de uma necessidade. Esse caminho alternativo terá de conseguir motivar os cidadãos para a construção de um país mais justo, mais eficiente, mais produtivo, que apoie a iniciativa individual de quem está disposto a correr riscos e a investir para inverter a situação em que nos encontramos. Encontrar mecanismos que tornem mais fácil a criação de riqueza e com isso aumentar a capacidade do estado para que possa ter mais e melhor intervenção na qualidade de vida dos cidadãos, deve ser considerado um desígnio nacional.


Pedro Passos Coelho disse hoje que “Para sabermos no que estamos unidos, temos de saber o que pensamos.” Com a edição do livro “Mudar”, ele partilha connosco algumas das suas ideias sobre um conjunto de áreas de interesse na governação de Portugal num esforço claro de unir em torno de propostas concretas, todos aqueles que querem e desejam um futuro melhor para o seu país.


A clareza com que expõe as suas ideias, permitirá aos Social-Democratas, mas sobretudo aos cidadãos que de alguma forma se preocupam com o país onde vivem, perceber que existe uma alternativa credível e motivadora de um novo ciclo político. Um ciclo político marcado pelo respeito pelos portugueses e pela cultura do rigor, ao mesmo tempo que se estimula o crescimento económico e a criação de riqueza. Preocupações complexas como o desemprego, o endividamento externo ou a competitividade só encontrarão resposta numa política competente, liderada por um protagonista capaz de concretizar estes objectivos.


Por tudo o que sei sobre as suas ideias e convicções, que muito bem exprime no seu livro, Pedro Passos Coelho é, não só indiscutivelmente a minha escolha para líder do meu partido, o PSD, mas é sobretudo a minha escolha para liderar os destinos do meu país, Portugal!

Nuno Banza,


Militante e Vereador do PSD na Câmara Municipal do Barreiro

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Tenha cuidado com este Inverno. Vai ser muito frio…e caro!

Está um frio!!! É a expressão mais ouvida nos últimos dias, na boca de toda a gente. Dos mais velhos aos mais novos, dos mais encalorados aos mais friorentos, não há ninguém a quem não lhe tenha já chegado o frio. Por todo o lado, desdobram-se as recomendações para que os cuidados com o frio sejam muitos e constantes, com especial atenção às crianças e aos menos jovens. Várias peças de roupa, protecção para as mãos, para a cabeça e ouvidos, cremes hidratantes para a pele e lábios, calçado adequado enfim, um manancial de cuidados, todos eles necessários e bem vindos, numa época em que o clima severo traz muitas vezes também as típicas complicações de saúde.


Neste contexto de frio, seria de esperar que, associado às inúmeras chamadas de atenção e títulos de jornais sobre os cuidados a ter, víssemos incluída também uma outra questão muito importante, em especial numa época de crise financeira que afecta sobretudo as famílias, que se refere aos custos com o aquecimento das habitações mas também de espaços de trabalho e serviços. Poderia começar por dizer que a climatização dos edifícios se faz maioritariamente através do consumo de energia eléctrica e que a sua produção implica uma emissão significativa de gases com efeito de estufa para a atmosfera, o que sendo verdade, confesso que não esperava vir a tocar o íntimo dos leitores, já que não se espera que as pessoas passem frio para evitar a emissão de CO2 para a atmosfera. Antes, e mais relevante nesta fase, penso que é importante encarar o problema por uma outra perspectiva – a perspectiva do uso racional e da economia de energia – que terá como consequência directa um menor custo da energia para as famílias e para as empresas, ao mesmo tempo que representará uma menor emissão de CO2 para a atmosfera.


É muito comum, tendo sido notícia de abertura de alguns noticiários nos últimos dias, a ocorrência de acidentes domésticos decorrentes de sobrecargas eléctricas, algumas com perda de vidas humanas, devido à utilização intensiva de aparelhos de aquecimento de vários tipos. A corrida aos aquecedores eléctricos e a gás que se registou nos últimos dias, tem uma consequência directa e muito negativa no consumo de energia das famílias, com o consequente e indesejado aumento das facturas a pagar.


Muitas das habitações em especial no caso do Barreiro, foram construídas numa época em que não se integravam preocupações com as soluções construtivas para poupar energia. O resultado é a inexistência de paredes duplas ou isolamentos térmicos e aplicação de caixilharia sem corte térmico ou telhados sem isolamento, o que criou hoje uma maior necessidade por parte dos seus habitantes, no que toca à climatização destas habitações.


Para os que possam integrar soluções de fundo no que toca à intervenção nas suas habitações, recomenda-se vivamente uma auditoria energética à habitação, para que possa decidir de forma informada e eficiente, quais os investimentos mais correctos a fazer. Para aqueles que, sendo seguramente a maior parte, se vêem obrigados ao uso de sistemas de climatização como forma de se manterem quentes nas suas habitações, gostava de deixar alguns conselhos úteis que, se forem seguidos, vão reduzir seguramente a factura energética mantendo o nível de conforto:


- Sempre que considere necessário e só nesse caso, promova a ventilação da habitação logo pela manhã, e por um curto período de tempo. Assim, estará a renovar o ar interior, promovendo a ventilação, seguindo-se um período em que normalmente os ocupantes das habitações saem para os empregos/escola, tendo menos impacto no conforto;


- Sempre que possível, deixe os estores das janelas abertos e os cortinados recolhidos no período do dia. Assim permitirá a entrada dos raios solares e contribuirá para o aquecimento do ar interior da habitação;


- Na utilização de aquecedores eléctricos, evite os que têm a resistência à vista (lâmpada), pois estes reduzem significativamente a humidade do ar, sendo menos eficientes no aquecimento que, por exemplo, os termo-ventiladores;


- Evite climatizar demasiado apenas algumas divisões da habitação, e faça-o só naquelas que sabe que vai efectivamente utilizar. O sobreaquecimento pode gerar diferenças de temperatura entre divisões que podem ser significativas. Não se esqueça que estar sujeito a mudanças bruscas de temperatura pode trazer complicações de saúde indesejadas;


- Use alguma roupa quente quando se encontra em casa e proteja os pés com calçado adequado. Assim evita ter de aquecer demasiado a habitação, o que lhe sai muito mais barato e evita desperdiçar calor que se manterá quando já não precisa dele;


- Nunca deixe aparelhos de aquecimento ligados durante a noite, com excepção dos que são instalados para acumular calor em período nocturno, como o caso dos acumuladores cerâmicos. A noite é o período de menor vigilância e por isso maior risco. Lembre-se que um cobertor adicional evita a necessidade de aquecimento, com a poupança de energia e logo, um menor custo;


- Equacione a possibilidade de recorrer à utilização de tarifa bi-horária, fazendo para isso uma simulação do seu consumo através do site da EDP ou do seu fornecedor de energia eléctrica.


E como este é o primeiro artigo de 2009, desejo a todos um Excelente Ano, com baixos consumos de energia.


Nuno Banza

terça-feira, 30 de dezembro de 2008


Num ano que se avizinha cinzento e tristonho, em que o ambiente de crise reina, não resisto a relembrar um poema de Pessoa, que me inspira a encontrar forças para um novo ano.


O Monstrengo, Fernando Pessoa.


O Monstrengo que está no fim do mar,

Na noite de breu ergueu-se a voar

À roda da nau voou três vezes,

Voou três vezes a chiar,

E disse “Quem é que ousou entrar

Nas minhas cavernas que não desvendo,

Meus tectos negros do fim do mundo?”

E o homem do leme, disse tremendo,

“El-Rei D. João Segundo!”


“De quem são as velas onde me roço?

De quem as quilhas que vejo e ouço?”

Disse o Monstrengo, e rodou três vezes,

Três vezes rodou imundo e grosso,

“Quem vem poder o que só eu posso,

Que moro onde nunca ninguém me visse

E escorro os medos do mar sem fundo?”

E o homem do leme tremeu, e disse,

“El-Rei D. João Segundo!”


Três vezes do leme as mãos ergueu,

Três vezes ao leme as reprendeu,

E disse no fim de tremer três vezes,

“Aqui ao leme sou mais do que eu:

Sou um povo que quer o mar que é teu

E mais que o Monstrengo, que me a alma teme

E roda nas trevas do fim do mundo,

Manda a vontade, que me ata ao leme,

De El-Rei D. João Segundo!”


domingo, 14 de dezembro de 2008

Uma nova travessia do Tejo - Excelente! Mas só isso não chega! E o resto…?



Tenho por hábito em relação aos textos que escrevo, deixar sempre algum contributo para uma reflexão positiva sobre o Barreiro, e raramente recorro a exemplos ou informações pessoais, a não ser aquelas que têm a ver com a minha visão de alguns factos, mas hoje vou quebrar essa regra e partilhar convosco um acontecimento pessoal, porque me ajuda a chamar a atenção para algo muito importante, que é a qualidade de vida numa cidade – o Barreiro – que se espera estar no caminho da sustentabilidade. E começando exactamente por aí, devo dizer que o conceito de sustentabilidade encerra três dimensões distintas – a ambiental, a social e a económica. Só que não tendo aqui lugar para a discussão destas três vertentes, e sem prejuízo de o vir a fazer mais tarde, vou centrar-me num detalhe da dimensão social – a vertente da saúde.

É que se dá o feliz facto de eu ser pai de um garoto de 4 anos que, tendo sido genericamente uma criança saudável até hoje, atravessou um episódio problemático há cerca de um ano, o que, não tendo deixado – felizmente - marcas permanentes, continua ainda hoje a trazer-me num estado de preocupação algo acima do que se pode considerar normal. Mas de resto, ainda que em diferentes níveis, a generalidade dos pais atravessa este estado de preocupação e a maior parte das crianças vai felizmente crescendo com a saúde e a alegria necessárias para que venham a ser adultos saudáveis. Neste percurso, muitas são as vezes em que o caminho para esse equilíbrio se faz de altos e baixos e, representando as crianças, um dos grupos mais frágeis da nossa população, compreende-se que os momentos problemáticos constituam uma razão especial de preocupação.

No contexto febril em que o meu garoto se encontrava no passado Domingo, e avizinhando-se uma noite complicada, decidi levá-lo ao serviço de Urgência Pediátrica do Hospital de N.ª Sr.ª do Rosário do Barreiro - local onde recorro sempre que se mostra necessário – para que pudesse ser observado. O panorama à chegada não me parecia nada convidativo – a sala de espera estava cheia, de entre pais, avós e outros acompanhantes e crianças, estando algumas delas já espalhadas pelo corredor de acesso e respectiva sala de entrada. Depois de uma triagem por uma enfermeira, restou-me aguardar em pé na sala de entrada, com o garoto ao colo, a “ferver” a “bicharada” que o atacara. Após uma espera exasperante de mais de duas horas, e respondendo à chamada, foi possível submeter o garoto à observação do clínico de serviço, que “grosso modo” não concluiu nada que não soubéssemos já. O rapaz tinha febre mas não tinha quaisquer outras manifestações, pelo que aconselhou que recolhêssemos a casa e, caso ele piorasse, voltássemos então a uma nova consulta na urgência pediátrica. À saída, e após todo aquele tempo de espera, desejei com muita força que tal não fosse necessário. Mas infelizmente não fui “atendido” nesse meu pedido, e no dia seguinte, pouco após as 13h – mais precisamente com o registo de entrada das 13:28h - voltámos ao sítio de onde tínhamos saído cerca de 12 horas antes, porque se verificou o que havia sido vaticinado pelo clínico – ele piorou. Podem não acreditar, porque até eu próprio tive dificuldade à chegada, mas o panorama do dia seguinte era ainda pior que o anterior. A descrição não consegue dar uma ideia do caos instalado naquele serviço. Esperámos cerca de uma hora para que fosse possível fazer a triagem ao garoto, e de forma até ridícula pelo inaceitável da situação, aquele “episódio de urgência” foi concluído às 17:33h, mais de 4 horas depois de ter dado entrada. Naquelas mais de quatro horas de espera, comuns a cerca de 50 crianças e respectivos acompanhantes, inúmeras foram as reclamações verbais aos funcionários auxiliares e enfermeiras que se conseguiam ver ocasionalmente para cá da porta, pelo despropositado e inaceitável tempo de espera – que de forma quase automática, a auxiliar anunciava superior a 4 horas. Desde uma mãe que várias vezes perguntou se poderia ausentar-se para dar comida à criança, até outra mãe que esperou cerca de 3 horas para que em 2 minutos o clínico pudesse transmitir-lhe que as análises da sua criança não revelavam nenhuma alteração e que poderia ir-se embora, inúmeros foram os impropérios a que quem passou a tarde naquele serviço, pôde assistir. Mas o mais inacreditável desta história foi que, inexplicavelmente, em todo aquele tempo, apenas uma mãe perguntou como poderia reclamar daquele serviço, que só desavergonhadamente se pode chamar de urgência – ainda por cima pediátrica.

É verdade que todos sabemos que falta fazer muita coisa para que possamos dizer que temos uma cidade sustentável. Em qualquer uma das três dimensões que referi. Mas se me pedissem para estabelecer prioridades, sem qualquer dúvida que a saúde apareceria num dos primeiros lugares. E nesta escolha, estou certo que não estou sozinho.

Quando vejo noticiado que a Assembleia Municipal do Barreiro aprovou por unanimidade o parecer favorável à nova travessia do Tejo no Corredor Chelas Barreiro, tenho vontade de propor que aprove também uma auditoria externa e séria aos serviços de urgência do Hospital de N.ª Sr.ª do Rosário do Barreiro. Porque confesso-vos que estou muito satisfeito com a decisão da ponte, mas quero viver numa cidade onde as condições de qualidade de vida são valorizadas como um todo, e não se regem por padrões tão baixos como estes, que permitem que situações como as que se passaram este fim-de-semana comigo e com muitas outras pessoas, sejam consideradas normais. Porque não são!

Nuno Banza

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A Cidade – de fonte de problemas a fonte de soluções!



Desde que o Homem se tornou sedentário, que organizou a vida em sociedade com base na construção de núcleos habitacionais, de dimensão variável em função de um conjunto de factores como as características geográficas, climáticas entre outras. Com o passar dos tempos, alguns desses pequenos núcleos foram crescendo, outros foram desaparecendo, mas muitos deram origem a grandes metrópoles, algumas de importância histórica, das quais fazem parte cidades como Roma, Atenas e muitas outras espalhadas pelo mundo. Desde sempre que a gestão das cidades foi polémica. Se imaginarmos os problemas que se colocavam ao nível das necessidades básicas numa cidade, como o abastecimento de água, a drenagem dos esgotos e recolha de resíduos, ou outras necessidades também muito importantes como o fornecimento de alimentos, ou até a convivência permanente com os animais quer os usados como apoio aos trabalhos do campo e nas deslocações (cavalos, burros e bois) bem como os animais criados para servirem de alimento (galinhas, porcos, ovelhas, cabras, etc) é fácil imaginar uma série de dificuldades práticas, que muitas vezes se traduziram em problemas sérios de saúde pública, como a peste, a cólera, entre muitos outros. Porém, a concentração de pessoas sempre permitiu resolver problemas de escala e encontrar soluções para um conjunto de dificuldades, que seriam impossíveis de resolver de outra forma.

Em regimes mais ou menos democráticos, a gestão das urbes é uma matéria que esteve sempre envolvida em polémica. Nos dias de hoje também a cidade continua a estar permanentemente envolvida em quezílias bairristas, partidaristas, de vizinhança e muitas vezes até clubistas, que vão alimentando a sua vivência. As cidades foram desde sempre uma forma útil que o homem encontrou para ter segurança, ter condições de vida mais favoráveis, criar condições de desenvolvimento social para fazer face às suas crescentes necessidades, o que faz com que a cidade possa ser vista como um organismo vivo e dinâmico. Com mais ou menos problemas, cada cidade faz o seu caminho, em função dos estímulos que lhe são fornecidos e vai encontrando formas de se desenvolver. É certo que muitas vezes a leitura que se faz desse desenvolvimento é ao mesmo tempo muito negativa e muito positiva, e permite até alimentar teses de catastrofismo, ou de ressurreição, muito convenientes em função dos interlocutores. Porém, a experiência mostra que as cidades são acima de tudo inteligentes na forma como resolvem os seus problemas. Grandes conflitos de interesses entre os actores das cidades geraram oportunidades únicas para encontrar soluções expeditas e inovadoras nunca antes experimentadas.
No caso do Barreiro, muito se tem dito e escrito sobre o rumo que a cidade está a seguir, e no qual o dia de ontem terá certamente um lugar de destaque. Não estou completamente certo que este é o melhor rumo, ao mesmo tempo que se me levantam dúvidas em relação a algumas opções concretas. Mas no meio das dúvidas que tenho e que certamente serão comuns a muitos Barreirenses, tenho algumas certezas que me deixam dormir descansado. É que a Cidade do Barreiro, como muitas cidades por esse mundo fora, é um sistema vivo, e os seus habitantes têm um papel preponderante na construção do seu futuro. Estimular a sua participação activa e informada é uma responsabilidade comum a todas as instituições públicas, mas não deixa de ser um dever de todos os habitantes contribuírem activamente para a construção do futuro que se quer para a cidade onde vivem. Quanto maior for a diversidade de opiniões, mais ricas serão as soluções que se constroem

É função dos decisores fazerem isso mesmo - decidir. Sabemos sempre que essas decisões não darão resposta às expectativas de todos os habitantes da cidade. O que temos de exigir é que essas opções sejam honestas. Se as opções que agora se constroem, se mostrarem no futuro acertadas, a cidade continuará o seu caminho assente nessas opções. Se elas se mostrarem erradas e geradoras de mais problemas que soluções, com toda a certeza que encontraremos forma de transformar essas ameaças em oportunidades e faremos o nosso caminho, caminhando. O Barreiro não começou, nem acabou ontem!
Como enuncia o ICLEI – International Council for Local Environmental Iniciatives (Conselho Internacional para as Iniciativas Ambientais Locais): “É necessário criar comunidades sustentáveis, através de economias locais viáveis, justas, pacíficas e integradoras, eco-eficientes e assentes em cidades saudáveis.” É este o objectivo para uma nova cidade.

Nuno Banza

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A moda das certificações – felizmente que algumas valem mesmo a pena!



Hoje em dia quase todos os rótulos têm um símbolo, ou vários, que nos chamam a atenção, por serem normalmente pequenos, terem uns números ou umas letras e alguns deles até mesmo estarem escritos noutra língua que não o português. Com a generalização do consumo, e o avanço da utilização da tecnologia na produção de bens, começou a sentir-se a necessidade de diferenciar os produtos bons dos outros menos bons, e terá sido eventualmente esse o ponto de viragem para o investimento na certificação de produtos. Com certeza se lembram da pasta de dentes que era recomendada pela Sociedade Portuguesa de Estomatologia e Medicina Dentária, ou da manteiga que era recomendada pela Fundação Portuguesa de Cardiologia, entre muitas outras. Na verdade, estamos a falar da associação de um nome ou de uma marca a um determinado produto, para que daqui se conclua que este é de confiança, de qualidade ou até melhor que qualquer dos outros seus concorrentes. Num processo mais ou menos semelhante, começaram a ser trazidos para o mercado, alguns princípios de normalização, usados há muito entre a comunidade científica para a troca de conhecimento e experiências. Esta normalização permite tornar comparáveis, vários processos e produtos, levados a cabo em situações, ou mesmo países diferentes. Na Europa, foram sendo desenvolvidos vários sistemas de normalização e criadas normas, vulgarmente conhecidas por EN, ou mesmo até começadas por ISO (International Organization for Standardization) Organização Internacional de Estandardização, que são hoje muito comuns e algumas mesmo muito conhecidas.

Muitos são hoje os sistemas criados para certificar tudo e mais alguma coisa. Há uns tempos escrevi aqui sobre a Certificação Energética de Edifícios, obrigatória para todos os edifícios a partir de Janeiro de 2009, e levada a cabo por via governamental através da ADENE – Agência nacional de energia. Mas além deste sistema, muitos outros são hoje usados pelos agentes económicos, para de alguma forma se tentarem distinguir uns dos outros. Muitas vezes para o cidadão comum, essa diferenciação é impossível, porque não só os sistemas e selos de qualidade e certificados são tantos e todos tão diferentes, que além de ser imperceptível, penso que começa a ser já hoje, infelizmente, pouco valorizado. Mas no meio de tantos sistemas destes, há alguns que se destacam pela sua qualidade, pela sua importância ao nível do que representam em termos de responsabilidade social das empresas, e mesmo até pela sua actualidade, e tentativa de liderar o mercado pelo lado da qualificação da oferta, integrando as melhores tecnologias disponíveis a vários níveis.

Na Europa, uma organização, BRE – Building Research Establishment (Organização de Investigação em Edifícios) lidera há vários anos um processo de Certificação que visa reduzir os Impactes dos projectos no ambiente, envolvendo já cerca de 100.000 edifícios certificados e tendo cerca de 700.000 em lista para serem auditados e certificados. (http://www.breeam.org/) Trata-se de um processo de certificação complexo e diversificado, que se aplica a edifícios de utilizações tão diferentes como habitação, escritórios, tribunais, unidades industriais, prisões, Centros Comerciais e Grandes Superfícies Comerciais, escolas, auditórios, entre outros. Através da análise de um largo conjunto de itens como a gestão, o uso e consumo de energia, a saúde e bem-estar, a geração de poluição nomeadamente do ar e água, os transportes, o uso do solo, as questões da ecologia, o balanço de materiais e análise do seu ciclo de vida e o consumo e uso eficiente da água, é atribuída uma classificação ponderada aos edifícios auditados. O resultado final é largamente difundido pelas pessoas para que possam saber o real impacte de cada um destes projectos, ao mesmo tempo que eles são enriquecedores do ponto de vista das cidades e vilas onde se desenvolvem, por serem uma efectiva mais-valia do ponto de vista ambiental.


Tendo sido considerado o melhor sistema mundial de classificação de Edifícios, é um desafio que se coloca indubitavelmente a uma região como a Margem sul do Tejo, onde tantas novas intenções de projectos se estão actualmente a prospectivar, e algumas mesmo até a concretizar. Espero que no meio das certificações tão badaladas e que os promotores muito gostam de referir, tendo muitas delas interesse apenas para os próprios, se comecem também a apontar baterias para exigir processos de certificação que defendem acima de tudo o interesse das cidades onde estes se vão inserir.

Nuno Banza

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O meu testemunho sobre a Candidatura do Pedro Passos Coelho no PSD



Gosto de pensar que é possível mudar para melhor. Ter objectivos claros e ambiciosos, lutar por sonhos e combater a resignação! Porque acredito numa sociedade justa e democrática, reformista nas ideias e nos conceitos, que não se contenta com a redutora ideia de desenvolvimento, mas antes aposta na inovação e no conhecimento como base para a construção de um futuro de sucesso. Defendo classes criativas e empreendedoras, funcionais na diversidade e autónomas. Acredito que só um conceito renovado de sociedade, liberal e solidária, dará a Portugal e aos Portugueses a força e a determinação de se tornarem competitivos e encontrarem o seu espaço no seio de uma nova Europa.

Porque é dentro do PSD que Pedro Passos Coelho defende e procura, que encontro a resposta a estas ideias, é a ele que darei duplamente o meu voto, não só porque acredito que ele será o próximo presidente do PSD, mas porque espero e desejo que venha a ser em 2009 o próximo Primeiro-Ministro de Portugal.


Nuno Banza

sábado, 27 de setembro de 2008

Uma Nova Classe Criativa Deve Vingar - A Responsabilidade Social do Barreiro também é nossa!

Será que haverá muitas terras como o Barreiro, que são adoptadas por pessoas com tanto valor como o Kira e que não conseguem adoptar essas pessoas? O Dr. José Pedro da Costa dizia: "Se eu fosse o Vitorino Nemésio, toda a gente me daria valor, assim como sou o José Pedro da Costa, do Barreiro..." Este sentimento de que ninguém é defendido pelo Barreiro será possível de explicar? Não sei! Mas que será certamente necessário inverter, disso não tenho dúvidas. Será que o Barreiro não tem capacidade de criar e amar os seus filhos? E será que não tem capacidade de adoptar aqueles que decidiram adoptar esta terra como mãe? Falta ao Barreiro uma classe de mecenas, que desinteressadamente partilhem um pouco do que é seu em prol de um bem comum. Seja tempo, dinheiro, influência, ou qualquer outra coisa que ajude a construir algo comum.
Não consigo deixar de pensar que numa terra onde tanto se viveu o associativismo, e de alguma forma ainda se vive, não sejamos capazes de criar uma corrente cultural forte e acolhedora para os nossos artistas. Não consigo perceber como não somos capazes de envolver as grandes e as pequenas empresas, não só de agora, para que assumam a sua responsabilidade social e com esse contributo estimulem o aparecimento de uma classe cultural que acolha os artistas do Barreiro - Todos! Uma das ideias que o Prof. António Câmara mais vezes repetiu, sobre o futuro do Barreiro, foi a oportunidade de criar condições para a fixação de uma classe criativa no Barreiro, que pudesse acolher jovens artistas e que desse apoio à sua afirmação global. E que pudesse naturalmente capitalizar o património cultural do Barreiro.
Falta desenvolver no Barreiro uma parte decisiva de uma estrutura social sustentável – o exercício sistemático da responsabilidade social empresarial, conhecido desde a idade média como mecenato. É preciso envolver as empresas na vida cultural da cidade de forma activa, permanente e consequente. Isso será determinante para que a classe de artistas do Barreiro possa ser acarinhada. Isso será determinante para podermos aspirar a ser competitivos como destino de novos artistas e vir a ter uma classe criativa forte e valiosa no futuro, que possa valorizar o património cultural que o Barreiro possui, legado pelo Kira, pelo Augusto Cabrita, pelo Manuel Cabanas e por tantos outros. Temos de deixar de estar sentados à espera que os poderes públicos assumam uma responsabilidade, que muitas vezes nem percebem que também é sua. Se formos capazes de criar um movimento social que lance este projecto, teremos dado o primeiro passo de um caminho que não é fácil nem curto, mas que é de certeza muito proveitoso.

Nuno Banza

terça-feira, 29 de abril de 2008

Poupar energia em casa – vamos começar por não deitar dinheiro fora!



A Energia está na Ordem do Dia. Nunca como agora o preço do petróleo esteve tão alto. E não nos podemos esquecer que esta é uma das mais importantes fontes de energia, quer seja directamente para os transportes, quer de forma indirecta para a produção de electricidade. Tal dependência já deu origem a muitos escritos, com a Europa a estar empenhada como nunca esteve, numa estratégia conjunta para a Energia, que possa unir os 27 Estados membros.
Mas descendo um pouco à nossa realidade mais próxima, gostava de chamar a atenção para um aspecto do consumo de energia, que quase nunca é valorizado, mas que no seu conjunto representa uma parte importante do trabalho que temos de fazer enquanto consumidores, na procura de uma conduta mais eficiente. Trata-se do consumo respeitante aos chamados consumos em “stand-by” (estar ligado mas sem estar a funcionar) e “off-power” (estar desligado, mas mantendo a ligação da ficha à tomada). Os mais diversos tipos de electrodomésticos, desde os pequenos aos grandes, são uma presença comum nas nossas casas. Com maior ou menor utilização, seja em período de ponta, cheio ou vazio (horas em que os consumos são máximos, médios ou mínimos, respectivamente), muitos são os que possuem estados de “stand-by” e ainda uma maior parte são aqueles que se encontram sempre ligados às tomadas, e que mesmo sem estar a funcionar, continuam a consumir energia (“off-power”). Ora, uma primeira ideia que normalmente temos é a de que os consumos destes equipamentos são muito baixos, quase mesmo irrelevantes, não sendo por isso muito motivante fazer seja o que for quanto a isto. Pois então vejamos alguns dados que nos mostram que talvez valha a pena pensar duas vezes, não só pelo que eles representam ao nível de cada habitação, mas também pelo seu significado a nível nacional.
No que toca ao consumo doméstico, pode ser apontado, mesmo sendo conservativo na análise, que o consumo de um equipamento em “stand-by” ou “off-power” pode considerar-se em média da ordem dos 3W, variando muito numa habitação de tipologia média, o número de equipamentos de que estamos a falar. Mas concordarão que não será difícil ter duas televisões, um micro-ondas, um leitor de DVD ou vídeo, um despertador digital, um monitor de computador, uma consola de jogos, um forno com relógio, uma aparelhagem Hi-Fi com relógio, ou até um carregador de telemóvel que está sempre ligado à tomada, mesmo que não esteja a carregar nada. Mas vamos considerar que desta lista de cerca de 10 coisas, temos em nossas casas apenas 8, quaisquer que elas sejam. Para estes 8 equipamentos, temos então, 24Wh de consumo para “standby” e “off-power”dos equipamentos. Numa rápida operação de multiplicar, percebemos que por dia, eles consumirão cerca de 576Wh, e que num ano isso representará cerca de 210,24 kWh. Ao preço que é pago o kW, no consumo doméstico - 0.142 €/kW, isso representa pagar cerca de 30€/ano para consumir energia sem qualquer uso. Dispenso-me a dizer o que cada um pode fazer com esses 30 €, mas não posso deixar de lembrar que por exemplo as quotas dos Bombeiros Voluntários do Sul e Sueste no Barreiro são de 12 € por ano.

Ao nível nacional, esta questão assume contornos ainda mais interessantes se pensarmos que existiam em 2007 cerca de 4,7 milhões de consumidores domésticos. Aqui vamos considerar 3 factores – o custo deste consumo, a potência a instalar (produção de energia em barragens, centrais termoeléctricas ou outras) para fazer face a este consumo e as emissões de CO2 resultantes. Sobre o custo, multiplicando os tais 30 € por 4,7 milhões de consumidores, em cada ano que passa, verifica-se um gasto sem qualquer utilidade de cerca de 141 milhões de Euros. Quanto à potência de produção a instalar para fazer face a este consumo, e atendendo aos 24Wh de consumo em cada habitação, esta corresponde a cerca de 113MW para o total dos consumidores. Como referência para facilidade de percepção do leitor, poderemos apontar que a Central termoeléctrica da EDP no Barreiro, tem uma potência instalada de cerca de 56MW, e que a Barragem de Vilarinho das Furnas, no Gerês tem uma potência instalada de cerca de 125MW, ou que a Barragem de Castelo de Bode tem uma potência instalada de 159MW.

Se é verdade que a energia eléctrica produzida através de barragens é considerada limpa por praticamente não ter emissões de CO2, já o seu impacte ambiental é dos mais devastadores para os ecossistemas naturais, a par do seu altíssimo custo de construção. Da mesma forma, evitar a produção desta quantidade de energia através de termoeléctricas poderia representar a não emissão de 600 000 ton/CO2 para a atmosfera, em cada ano. Curiosamente, se considerarmos um valor de 20 €/ton de CO2 emitido, no mercado das emissões de CO2, esta emissão representa cerca de 12 milhões de Euros em licenças de emissão. Tudo somado, os 141 milhões de Euros de custo e mais estes 12 milhões de Euros em licenças, a juntar a tudo o resto que já se referiu, justifica plenamente na minha perspectiva uma alteração de comportamentos. Um país que é pobre, mesmo quando não se diz como tal ou se convence do contrário, não se pode dar ao luxo de deitar fora 153 milhões de Euros por ano.
Nuno Banza

sexta-feira, 14 de março de 2008


Re-publicação de um artigo para o Jornal Rostos de Novembro de 2006, ilustrado com uma foto da Costa da Caparica de 12 de Março de 2008
Alterações Climáticas - A Urgência de Agir e Depressa



“Chegar às primeiras páginas não é garantia de importância. Mas, porvezes, as primeiras páginas justificam-se. As alterações climáticasnão são uma questão de moda: trata-se do nosso futuro. Políticos,empresas, famílias, cidadãos - todos aqueles que têm interesse nofuturo sabem que é necessário actuar agora para gerir os problemas deamanhã.” Estas palavras de Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia, são o espelho de uma enorme mudança de mentalidades a que estamos obrigados. Elas foram proferidas numa altura em que se encontra a decorrer em Nairobi, no Quénia, a Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas. Uma iniciativa das Nações Unidas para tentar motivar uma mudança de comportamentos das Nações, porque na verdade, o modelo económico do mundo dito desenvolvido, não contemplava até há pouco tempo as externalidades negativas de que a emissão de gases como o CO2 é um bom exemplo.



Alguns números de enquadramentoO avanço da tecnologia veio permitir encontrar respostas e descobrir verdades que estavam antes bem escondidas pela natureza. O Painel Inter-Governamental para as Alterações Climáticas (IPCC) estimou que desde o ano de 1750 até ao ano 2000, a concentração de CO2 da atmosfera subiu 31%, sendo expectável que até ao ano 2100 esta suba, a números de hoje, até aos 250%. Da mesma forma, a concentração de Metano subiu no referido período cerca de 151%. Do total das emissões destes gases, os Estados Unidos da América (EUA) são actualmente responsáveis por cerca de 25%.
Quanto ao comportamento térmico da Terra, tornou-se uma evidência científica que no Século XX a temperatura média da Terra subiu 0,6º C, assim como se sabe que a década de 90 do mesmo Século foi a mais quente desde que se efectuam registos climatológicos sistemáticos (1861). Também foi possível validar cientificamente que 1998 foi o ano mais quente de toda a história dos registos de temperaturas. Ao mesmo tempo que se verificou a subida das temperaturas, outros fenómenos começaram a assustar os estudiosos. Factos como a diminuição do manto de neve que cobre a superfície da terra em 10%, desde 1960, ou a diminuição de 40% da espessura do Árctico desde 1965 até aos nossos dias, começavam já a mostrar um comportamento reactivo da Terra. Como resultado primário destes acontecimentos, verificou-se outro facto preocupante – o nível médio da água do mar subiu 20 cm no Século XX.
Os trabalhos científicos do IPCC mostraram ainda que as previsões para o Século XXI são de um aumento de até 5,8º C na temperatura média da Terra e uma subida de cerca de 88 cm do nível médio da água do mar. Face a este cenário, estados como o Tuvalu, no Pacífico, ficarão com 100% do seu território debaixo de água, tendo já negociado com países vizinhos, como neste caso com a Nova Zelândia o acolhimento de parte da sua população.



Os sinais de alertaInúmeros sinais começaram a ser dados pela Terra, mas o Homem continuou a sua saga de desenvolvimento assente nos recursos finitos do petróleo, carvão e gás natural, expelindo para a atmosfera aquilo que sabemos hoje serem quantidades de gases como o CO2, incomportáveis para um sistema natural saudável, que permita o suporte de vida em condições de segurança.
Os registos de anomalias climáticas com perdas de vidas humanas e de bens materiais começaram a ser notícia espaçadamente, para estarem hoje na ordem do dia, de quase todos os dias. O aumento da frequência de ocorrência de furacões, ciclones e tempestades tropicais foi rápido mas não silencioso. As secas e inundações que se tornaram frequentes em muitos locais da Terra, levaram já milhares de vidas humanas, ameaçando muitas mais. Pela primeira vez, Portugal registou um fenómeno climático extremo de escala nacional, pela passagem do Furacão “Gordon” a 21 de Setembro deste ano, contrariando os registos até ai conhecidos em que o Anticiclone dos Açores fazia com que este tipo de fenómenos se desviasse para Norte. O resultado foi a sua passagem pelo território continental deixando um pouco por todo o lado as suas marcas. Desta vez o anticiclone não se comportou como até aqui – estranho? Talvez não!
O degelo das calotes polares, com níveis preocupantes nos anos mais recentes, tem como consequência directa a subida dos níveis médios da água do mar. Este fenómeno associado ao aumento da temperatura média da água, que provoca o seu aumento de volume e assim também a sua subida de nível estão ainda na origem de registos que revelam a mudança de padrões de distribuição de doenças tropicais a par da alteração da distribuição de muitas espécies de seres vivos.


De Quioto a Nairobi – tão longe do fim


Um dos riscos apontados por Al Gore no seu recente trabalho sobre o fenómeno das alterações climáticas, é que a informação obtida pelos cientistas e que justamente pertence à humanidade como património científico, faça passar a opinião pública do descrédito para o desespero. Este medo não deve no entanto impedir que o trabalho continue e se intensifique na justa medida da sua premente necessidade.
O célebre Protocolo de Quioto ratificado por 41 países em 1997, dos quais Portugal fez parte, estabeleceu como período de referência inicial o ano de 1990, tendo como horizonte de aplicação o período 2008 – 2012. Neste período, 35 dos países que assinaram o protocolo comprometeram-se a reduzir as emissões de CO2 em 5% porém, até 2004 a redução efectivamente conseguida ficou-se pelos 3,3%, à custa da redução verificada pelo colapso económico da ex-URSS que representou neste esforço 36,8%.Por outro lado, algumas economias emergentes da Europa de Leste e dos Balcãs registaram entre 2000 e 2004 uma subida de 4,1%. Os objectivos fixados por Quioto de uma redução de CO2 na ordem dos 8% até 2012, apontando uma redução de 60 a 80% em 2050 estão por isso cada vez mais longe de serem atingidos. Portugal, pertencendo aos países a quem foi permitido aumentar as suas emissões, com o objectivo de esse aumento ser associado a um desenvolvimento económico que lhe permitisse a modernização do tecido industrial, está numa situação deveras preocupante. Não só o período decorrido não se pautou por uma efectiva modernização dos sectores responsáveis pela maior parte das emissões, como também o consumo de energia disparou para um aumento da ordem dos 5 % /ano, enquanto o sector dos transportes continua a representar mais de metade da factura nacional de combustíveis. Verificou-se assim que, com um aumento previsto para 2012 de 27% de emissões de CO2 em relação a 1990, Portugal emitia já em 2004 mais 40,8% de CO2 em relação ao ano de referência. Para uma emissão limite de CO2 de 76,3 milhões de Toneladas equivalentes, Portugal identificou um excedente de 5,8 milhões de Toneladas equivalentes.


Plano Nacional para as Alterações Climáticas – Promessas ou compromissos sérios?

Ao ratificar Quioto, Portugal aceitou entrar num mecanismo financeiro que instituiu um mercado de licenças de emissão de gases com efeitos de estufa, conhecido como mercado do carbono. Este mecanismo traduz para valores de mercado a quantidade de CO2 que é emitida por cada um dos países. Tal facto faz com que a partir de 2012, os estados que excedam as quotas de emissão que lhe foram atribuídas e negociadas no “bolo” global da União Europeia, devem pagar o valor correspondente ao excedente das suas emissões. O Governo Português calculou já o custo estimado que o país terá de suportar – cerca de 348 milhões de euros/ano – tendo já contemplado no orçamento estado de 2007 cerca de 6 milhões de euros e prevendo contemplar para o orçamento de 2008 cerca de 72 milhões de euros.



Consciente do panorama dramático em que Portugal se encontra nesta matéria, o Governo aprovou em Agosto último o Plano Nacional para as Alterações Climáticas (PNAC) que é já uma versão “revista e anotada” dos anteriores porém, as expectativas são já baixas. Face ao compromisso assumido pelo Governo de diminuir 1% ao ano, de 2004 a 2012 a emissão de CO2 cabendo a cada um dos ministérios a fixação das medidas sectoriais que permitirão atingir esta redução, o prazo de 15 de Setembro dado para o fazer já lá vai, e nada foi feito. Às propostas iniciais de um aumento até 2010 de área florestal para 600.000 hectares, o Governo admite já um desvio de 18% - este desvio representará um aumento de emissões por perda da função de sumidouro da floresta em cerca de 930 mil toneladas de CO2/ano. Para a proposta que previa a instalação de cerca de um milhão de metros quadrados de colectores para água quente solar, admite-se já um desvio de 50%, com o consequente aumento da emissão de 140 mil toneladas de CO2/ano. Da mesma forma os objectivos fixados para o abate de veículos em fim de vida terá previsivelmente um desvio de 80%.



Porém, hoje em Nairobi, o Secretário de Estado do Ambiente do Governo Português, afirmou que “Portugal acredita que com escolhas políticas fortes e deliberadas, é possível “descarbonizar” a nossa economia sem criar obstáculos ao desenvolvimento.” Pena é que a realidade nos tem mostrado que esta frase não tem tido até agora significado no país em que este político tem responsabilidades.



A responsabilidade de agir é de todos nós. Nicholas Stern, o especialista inglês que revelou recentemente ao mundo o seu trabalho científico sobre o fenómeno das alterações climáticas diz no seu relatório “Ninguém pode prever com completa certeza as consequências das alterações climáticas porém, nós sabemos já o suficiente para perceber os riscos.” Algumas das conclusões mais prementes deste relatório apontam para o ano de 2025 consequências assustadoras: aumento de 2º C da temperatura média da Terra; 200 milhões de refugiados; perda incalculável de vidas humanas e de biodiversidade; custo financeiro 5 a 20 vezes superior ao de intervir na diminuição de gases com efeito de estufa.Em nome dos habitantes de New Orleans e de muitos outros locais do mundo onde infelizmente se perderam recentemente milhares de vidas humanas não devemos calar o grito de revolta que urge dar, em nome da humanidade, dos nossos filhos. A decisão é de cada um de nós e fazer alguma coisa, mesmo que se pense ser pouco, terá com toda a certeza, na soma total, um significado forte e motivador da mudança de comportamentos da humanidade. Sem vaidades, arrogâncias ou falsas modéstias, todos somos responsáveis.


Alguns conselhos práticos que se podem desde já seguir:


- troque as lâmpadas incandescentes por lâmpadas de baixo consumo. O tempo médio de vida destas é seis vezes superior às convencionais e você evitará por cada lâmpada, a emissão de 68kg de CO2 por ano;


- Evite produtos com muita embalagem. Reduzir o seu lixo em 10% pode evitar a emissão de 545kg de CO2;


- Pratique e promova a política dos 3 R’s. Reciclar metade do seu lixo doméstico pode reduzir a emissão de cerca de 1.000kg de CO2 por ano.


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domingo, 24 de fevereiro de 2008

Os movimentos cívicos e as suas análises sobre a vida do país


Um dos desafios mais relevantes na actualidade, em matéria de desenvolvimento sustentável, prende-se com o envolvimento dos cidadãos na tomada das decisões que afectam positiva e negativamente a sua vida e o futuro das sociedades em que estão inseridos. Nas sociedades democráticas, a participação pública nos processos de tomada de decisão assume diversas formas e é condicionada por um conjunto diversificado de variáveis, que vão desde a cultura democrática dessas mesmas sociedades, até à utilização efectiva de soluções avançadas e expeditas de envolvimento real dos cidadãos nas tomadas de decisão.
Se por um lado, todo um conjunto de condicionalismos sociais, económicos, culturais e políticos, parece ter relevância na compreensão do fenómeno da participação, por outro lado, os resultados das políticas públicas em termos da criação de condições para promover a participação pública são de uma tal discrepância, que parece ser difícil encontrar neles uma estratégia comum, quer em termos nacionais, quer até, em termos de abordagem ao nível do espaço europeu. Inúmeras experiências de ordenamento do território e planeamento têm mostrado ambas as faces de uma mesma moeda – por um lado os bons resultados do envolvimento dos cidadãos e a apropriação por estes das soluções produzidas em conjunto; por outro, os ódios e conflitos decorrentes do exercício autoritário do poder da administração sobre os administrados.

A distância cada vez maior dos cidadãos quanto ao exercício de actividade política, deixa antever uma clara disfunção entre o que são os objectivos individuais e as expectativas destes, e o seu envolvimento em acções concretas que contribuam de alguma forma para esses objectivos. Com diferentes formas e conteúdos, a Europa possui vários tipos de normativos que tentam promover a participação dos cidadãos nos processos de tomada de decisão, ao mesmo tempo que tornou as questões da Participação num tema horizontal, integrando-o em várias políticas sectoriais. Passados quase dez anos sobre a assinatura da Convenção de Aarhus, em Junho de 1998, seria interessante avaliar de que forma o segundo pilar da estratégia por ela definida – Participação Pública na Tomada de Decisão - que decorria já de um dos princípios da Declaração do Rio (1992), teve consequência em Portugal. Neste contexto, será então importante ter também como referência para análise a Estratégia de Lisboa e avaliar de que forma os objectivos fixados para o desenvolvimento da Sociedade de Informação podem de alguma forma cruzar-se com a promoção da participação pública.

Quando vemos cada vez mais as organizações da sociedade civil tomarem posição e virem a público tornar claras as suas preocupações sobre diversas questões de importância nacional, assistimos às mais diversas reacções. Muitos se lembrarão das associações cívicas, outrora consideradas algumas vezes "a voz do dono", outras "antros de conspiração". Na verdade, com tradição alargada no tempo, foram votadas ao abandono, esvaziadas quer pelos partidos (compreensivelmente), quer pela desmotivação e desinteresse na vida activa da sociedade, que se viveu cada vez mais no período pós-25 de Abril.

Porém, há hoje, creio, uma inversão desta tendência que deve ser analisada com atenção. Por um lado, os partidos que acolheram a “massa crítica” da sociedade, que tinha intervenção activa, são hoje alvo de duras críticas, muitas delas justificadas, quando tentam fazer aprovar uma legislação que não mais pretende do que esmagar os extremos da ”normal”, reduzindo a expressão dos partidos pequenos e muitas vezes incómodos. Muita da sua energia provém hoje do poder e não do saber, que é por isso regulada pela posição que ocupam no espectro eleitoral e não, como seria de esperar, pelo seu valor próprio e pelo património de valores e saberes que conseguem acolher à sua volta. Este facto é tão mais relevante quando assistimos à crescente manifestação pública de oposições internas às lideranças dos dois maiores partidos políticos portugueses. Com muita vontade de imitar o Rei de Espanha no episódio ”Hugo Chavez”, os seus líderes tentam gerir de forma cirúrgica os afastamentos mais fortes da “ordem normal das coisas”, mas a verdade é que será inevitável por muito mais tempo, conseguir não cobrar bons serviços àqueles que se encontram mandatados para os prestar. Muitas mais associações se irão manifestar, e estou certo que será impossível evitar uma escalada de insatisfação para com a cada vez mais autista reacção de quem, às justas preocupações da sociedade civil, responde com uma análise positiva das reformas em curso.
Não resisto a dizer que este PREC – Período de Reformas Em Curso teria muito interesse em ser analisado em detalhe, dada a sua tão interessante semelhança com outros tempos também pautados por muitas medidas reformistas. Não será certamente alheio a este facto, alguns dos protagonistas terem feito “escola” nesses tempos, podendo hoje usar esses tão úteis conhecimentos. Eu atrevia-me até, sem querer parecer pretensioso, a propor ao Sr. Presidente da República que marcasse a data das próximas eleições legislativas para o dia 25 de Novembro. Há quem diga que a história nunca se repete, mas como neste nosso Portugal tudo é possível, sabe-se lá…!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

(A)Ponte na sua Agenda!


Se há datas que não nos saem da cabeça, outras temos por vezes muita dificuldade em decorar – acho que isto acontece a toda a gente. Cada um escolhe a sua estratégia para não se esquecer das coisas importantes. Uns andam com calendários de bolso, outros apontam no frigorífico, outros usam as novas tecnologias e aderem ao famoso lembrete no telemóvel, mas a verdade é que não há quase ninguém que consiga ter sempre presente tudo aquilo de que se quer recordar. No entanto, e no meio desses acontecimentos todos, há uns que são impossíveis de esquecer – e em especial se não aconteceram ainda – provocando uma ansiedade que aumenta à medida que a data se aproxima. Esta introdução parece um pouco estranha e até confesso que pode levar a pensar – “Mas que raio é que isto importa?” Pois é! Importa e muito! Garanto-vos que, com o tempo, todos nós vamos ver a ansiedade aumentar até à data em que a Ponte Chelas - Barreiro seja efectivamente uma realidade. E o que é mais curioso é que essa ansiedade vai ter razões tão diferentes, que algumas delas nem vamos conseguir imaginar.

Mas para aquelas que conseguimos imaginar, vamos lá aqui tentar fazer um exercício. Já imaginaram poder apanhar o comboio e estar no Parque das Nações em 20 minutos? Ou já imaginaram que o Jardim Zoológico fica mais perto que chegar ao Castelo de Palmela? Ou que podemos ir depois de jantar ao Teatro ao D. Maria e voltar a casa a uma hora que nos deixa ir trabalhar sem olheiras no dia seguinte? E já imaginaram que o Museu Industrial da CUF pode ser visitado pelos residentes de Lisboa, tal como vão ao CCB ver a exposição da Colecção Berardo? Ou que as mesmas pessoas podem meter a Bicicleta no comboio e vir dar uma volta à Mata da Machada e voltar a tempo do almoço? Pois é! Dá para imaginar um monte de coisas que a tal ligação nas duas direcções pode permitir fazer. Mas se nos esforçarmos um bocadinho, também dá para imaginar outras coisas. Coisas não muito agradáveis e que para alguns são verdadeiros “Sonhos de uma noite de Verão”. Já imaginaram todos os nossos espaços livres completamente urbanizados e cheios de casas para pôr a morar pessoas que só cá vêm dormir? E já imaginaram se os preços das casas que tanto se fala irem ser construídas com vista para o Rio, forem de tal forma altos que não conseguimos fazer outra coisa senão assistir à sua venda? Enfim, temos uns anos para dar asas à imaginação, ao mesmo tempo que podemos ir estando atentos ao que acontece na realidade.

E por falar em realidade, se o estudo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) veio trazer aquilo que se espera ser uma nova realidade para o Barreiro, ele é já por si só uma realidade. E esta realidade não diz só que deve haver ponte para o Barreiro no modo rodo-ferroviário. Uma leitura mais atenta à parte que alguns consideram mais “chata” mas também mais detalhada, mostra também por exemplo, que o trajecto de comboio entre o novo aeroporto e Lisboa, por razões de diminuição do tempo de trajecto deve ter apenas 1 paragem entre o aeroporto e a Margem Norte e essa paragem deve ser, não no Barreiro como a maior parte das pessoas esperaria, mas sim no Pinhal Novo, “Recomenda-se um serviço semi-expresso, que efectue a ligação Sete Rios – Entrecampos – Roma/Areeiro – Pinhal Novo – Aeroporto.” In Estudo para a Análise Técnica Comparada das Alternativas de Localização do Novo Aeroporto de Lisboana Zona da Ota e na Zona do Campo de Tiro de Alcochete – LNEC, 2007. Não sendo esta uma ideia muito clara para mim, quanto à sua justiça, ela só me ajuda a pensar que, quer por uma ou outra razão, uma coisa é certa, aponte na sua agenda que a ponte ainda vai dar muito que falar.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

O Natal entre a Alegria de Comprar e o Dever de Reciclar


Ao chegar mais uma época natalícia, e sem entrar em detalhes sobre os hábitos de cada pessoa nesta altura do ano, penso que é aceite por todos que a maioria dos portugueses ocupa uma boa parte dos seus tempos livres mais próximos, à procura da prenda ideal para cada um dos seus entes queridos. O fenómeno que até alguns neo-liberais descrevem como ímpeto consumista desenfreado, não tem infelizmente só consequências financeiras desastrosas nos orçamentos familiares. A verdade é que há uma tradição enraizada de comprar prendas para oferecer quase a toda a gente - seja para o “colega surpresa” sorteado para o típico jantar de natal da empresa, seja para o filhote pequeno do primo que mora na terra dos avós, e que é levada pela sogra – a lista é quase sempre maior de ano para ano, e sempre muito maior do que a vontade de gastar dinheiro a comprá-la. Mas com maior ou menor esforço, a verdade é que a maior parte das pessoas acaba por comprar um sem número de presentes, alguns muito úteis para quem recebe, outros só mesmo úteis (e mesmo assim…?) para quem oferece. Ora se todos conhecemos bem esta realidade, a verdade é que por detrás deste fenómeno está uma outra realidade bem menos simpática e interessante, que a organização da nossa sociedade se encarregou de nos tirar da frente dos olhos. Uma produção de resíduos em quantidades assustadoras, que é encaminhada pelos sistemas de recolha para aterro – à qual é impossível o sistema de recolha selectiva dar resposta atempada e adequada. E como diz o ditado “longe da vista, longe do coração…” Mas não pode ser assim! Simplesmente porque estamos a falar de um problema que inevitavelmente nos trará os custos e os problemas, associados a este comportamento de avestruz – enfiar a cabeça na areia, ou neste caso, o lixo no contentor. Desde papel de embrulho em quantidades que dariam para “embrulhar Portugal”, até fitas de laço com uma extensão maior do que o caminho marítimo para a Índia, todo um monte de desperdícios, com uma efémera finalidade, acabam por afinal permanecer nas nossas vidas muito mais tempo do que aquele que nos serviram e com custos muito superiores à sua utilidade. E com certeza que esta é uma ideia que já passou pela cabeça de todas as pessoas pelo menos uma vez, senão mesmo muitas vezes até. Eu acredito que é preciso conhecer os problemas para poder trabalhar na sua resolução, e não acredito em soluções radicais, mas sim na construção sólida e consequente de soluções, através de pequenos e seguros passos. Por isso, digo que se conseguirmos que cada um de nós individualmente se motive para usar menos algum do papel de embrulho, ou se for criativo e usar folhas de jornal usado e fio de sisal ou de juta como laço, para o fazer, estamos já a dar um pequeno contributo, que somado, dará certamente um resultado positivo. Mas há mais – pense nas prendas que vai oferecer: dê prioridade a produtos duráveis e reparáveis; escolha produtos educativos, que estimulem a inteligência e a criatividade, em especial se se tratar dos mais jovens; evite produtos com excesso de embalagem e não leve para casa embalagens que não necessita – a reciclagem pelos vendedores está facilitada; escolha produtos úteis, daqueles que sabe que não vão ser escondidos no sótão. Enfim, seja solidário e pense um pouco em si e no ambiente que o rodeia. Agradeça a si próprio e motive-se por ter um natal mais ecológico. Feliz Natal!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Cooperação Europeia – a chave para o desenvolvimento.


Quando ouvimos falar de cooperação europeia, somos muitas vezes tentados a pensar em reuniões com pessoas de outros países da Europa, das quais muitas vezes pouco se sabe ou até poucos resultados têm, pensamos nós. Mas para podermos ter a verdadeira noção da importância que tem a nossa relação com outros países, precisamos de pensar um pouco antes, num conjunto de conceitos pouco comuns. Temos então de começar por considerar que os elementos reais são contínuos e só fazem sentido quando enquadrados num contexto ou seja, a noção de vizinhança é impossível de desligar de qualquer elemento, seja ele o que nós quisermos considerar – um território, um povo ou uma cultura. É, por exemplo, impossível contar a história de Portugal sem falar na história da nossa vizinha Espanha. Por outro lado, a interacção dos elementos com a sua vizinhança não conduz à perda de identidade, mas antes ao reforço das suas características próprias. Assim, a multi-culturalidade e a diversidade funcional são construídas num processo de troca de informação e conhecimento. Cada elemento desta interacção é responsável pela partilha dos seus conhecimentos e dos seus legados, numa óptica de interacção aberta e fluida. As características diferenciadoras dos espaços e dos actores são assim o seu capital de troca e de investimento. Porém, este investimento deve sempre ser norteado por um critério de equidade entre o investimento e o retorno gerado. Cada elemento deve e pode ter as legítimas expectativas de ver recompensado o seu esforço, ao mesmo tempo que contribui para a construção de um património comum aos diferentes elementos que se relacionam entre si. Ao mesmo tempo que se recompensam os investimentos individuais, é fundamental potenciar as capacidades intrínsecas através da interacção e da conjugação de pontos comuns. Há aqui porém uma responsabilidade solidária dos mais fortes para com os mais fracos, numa óptica de construção de um bem-estar comum – é este o sentido do conceito subjacente à União Europeia. Todo este trabalho deve por isso ter como elemento de base, a regra inviolável de respeitar as diferenças e manter a identidade, valorizando o património histórico, cultural e social de cada povo, cultura ou lugar.
Tendo então uma Europa funcional e em permanente comunicação – o suporte determinante do processo de cooperação – o resultado deste processo de partilha é um somatório de conhecimento científico disponível para o objectivo inicial – permitir o desenvolvimento. Esta é a experiencia dos quatro anos de trabalho com pessoas de Espanha, Polónia, Holanda e Bélgica. Trazer para o Barreiro o conhecimento das mais recentes investigações na área da participação pública, ao mesmo tempo que é possível experimentar técnicas de visualização de elementos territoriais inovadoras, não só começa um novo caminho no que toca ao envolvimento dos cidadãos, como abre a porta para uma prática de cooperação europeia mais consequente. Tendo a melhoria contínua como objectivo comum, cada um dos países pôde beneficiar desta relação, em que o Barreiro partilhou a experiência de envolvimento directo das pessoas num projecto experimental, e com isso deu a conhecer os pontos fortes e fracos do trabalho comum.
A sequência lógica de um bom resultado é apostar numa estratégia de continuidade. Só faz sentido pensar numa Europa coesa e justa se atendermos às suas diferenças e eliminarmos as suas disfunções. É isso que corporiza a aposta num trabalho conjunto na área da Energia com a criação de uma agência, recorrendo ao apoio da União Europeia. Todo este esforço é para as pessoas e para o território onde vivem. É esse o compromisso do trabalho conjunto, entre todos os países da Europa e dos seus povos. É por isso a cooperação, a chave para o desenvolvimento, não apenas como um conceito intermédio para outros objectivos, mas sim para um desenvolvimento como fim último da sua existência.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007


Uma mistura de artes curiosa. Será que ficava bem um graffiti bordado num tapete de arraiolos? Vou propor isso à D. Antónia.

Uma cidade de pessoas e para as pessoas




No outro dia dei uma volta a pé aqui por perto de casa e confirmei a minha teoria de que o Barreiro é uma cidade com muito valor e muito capital humano de qualidade. Temos de conseguir agarrar as pessoas e virar-nos para fora, em vez de andarmos sempre a carpir mágoas e a dizer mal de nós próprios. Somos tão bons ou piores como todos os outros (como diz sempre o meu amigo CPN). Bastou um banco de rua e um dia de sol, para podermos ver a D. Antónia Costa (a quem agradeço a simpatia) a passar o tempo a fazer mais um dos seus tapetes de arraiolos. Isto é um exemplo de vida urbana. Não é só fazer graffitis, embora eles até fiquem alí bem. É também apoiar estas e muitas outras iniciativas de cidadania. Aqui fica o meu reconhecimento a esta e a muitas outras pessoas que tornam o Barreiro na cidade em que eu quero viver.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Um ano depois da última mensagem, decidi voltar a reactivar o Blogue. Os acontecimentos mais recentes supostamente relacionados com a causa ambiental, causa que eu defendo, mas cuja ligação aos ditos acontecimentos, eu não admito, levaram-me a ter de novo vontade de escrever contra a violência.

sábado, 14 de julho de 2007

A ponte para o Barreiro não é como o Aeroporto para a Ota – não é uma birra, é uma necessidade!


Aqui há uns dias, na Inauguração da exposição sobre os vazios urbanos organizada pela Secção Regional Sul da Ordem dos Arquitectos, na Cordoaria Nacional, tive a improvável oportunidade de trocar algumas palavras com o Primeiro-Ministro José Sócrates. No contexto da informação que o Barreiro disponibilizou para a exposição, e à boleia de uma observação muito pertinente de uma colega que me acompanhava, sobre a recente polémica de mais uma ponte para o Montijo como alternativa à Ponte Chelas - Barreiro, o Primeiro-Ministro, muito seriamente, respondeu-nos que a Ponte para o Barreiro era uma decisão deste governo e que essa decisão era irreversível – estava tomada e o governo não ia voltar atrás. Eu devo dizer que a primeira ideia que me assolou o espírito foi a de algum conforto. Não vou aqui repetir os argumentos que me fazem defender a opção rodo-ferroviária para a ponte Chelas – Barreiro, mas digo apenas que pelo menos metade das minhas expectativas – ou talvez um bocadinho mais de metade – podiam ser satisfeitas. Mas à medida que o tempo foi passando, e agora pensando mais friamente nesta questão, começo outra vez a ficar um bocado mais preocupado. Depois de ouvir o Sr. Prof. José Manuel Viegas – uma pessoa por quem tenho um grande respeito intelectual – pronunciar-se favoravelmente na Assembleia da República à construção de mais uma ponte para o Montijo, em detrimento da ponte Chelas – Barreiro, não consegui mais ficar descansado. É que aquilo que mais me preocupa é que se comece outra vez a bater no Governo – e eu até sou insuspeito para o defender – da mesma forma que se fez no caso da decisão do novo aeroporto. Não que eu até não concorde que foram merecidas, mais pelas razões técnicas que fundamentaram as críticas do que propriamente as razões políticas – que naturalmente também as há – mas vamos por partes. Como eu gosto sempre de dizer nestes casos “A prima do mestre de obra” e “A obra prima do mestre” têm as mesmas palavras, mas só isso, porque têm de facto significados completamente diferentes. Se havia razões técnicas que fundamentaram o coro de críticas que soou afinado contra o governo, pelo facto de haver também já uma decisão tomada relativamente ao novo aeroporto, não estamos na mesma situação quando falamos da nova ponte Chelas – Barreiro. Há, de facto, diversas razões que justificam o interesse nacional desta obra – e eu devo reforçar que penso que é por isso que o Governo decidiu por esta opção – o que não deve servir para alimentar mais uma guerra política, por muito tentador e até útil que isso seja para a oposição.
Assuma-se que a decisão da ponte é baseada num conjunto de argumentos técnicos que a suportam, discuta-se seriamente a opção rodoviária para a Ponte, e demonstre-se qual é a melhor estratégia para Portugal nesta matéria, mas por favor, em nome da seriedade e do interesse público, não se entre em mais uma guerra de birras só porque foi este governo que decidiu, porque a Ponte Chelas – Barreiro faz falta.